Já Foi

Trilha sonora: Better Together – Jack Johnson. 

Peguei meu casaco, vesti minha blusa mais quentinha, coloquei meu cachecol. Puxei a chave de casa e minha bolsa. Estou pronta. Quase. Meu fone. Agora sim. Minha playslist inconstante já anda por mim. E me faz andar devagar num caminho que não é o que meus pés fazem. Só os pés no chão. A cabeça tá longe. Ganhou asas e chegou antes. Agora já foi. Alcançou a linha de chegada. E sem reparar continuou. Tão focada na música, meus pés andavam em ritmo. Uma música calma dirigia o andar e a respiração. Os impulsos correm entre o pulsar. E quando foi ver, já estava por dançar. E foi. Segui meu ritmo, quero dizer caminho… Quase no automático. Deixando a vontade e a intuição falar. A curiosidade questiona, recua, analisa e depois corre. Cadê? Foi brincar de esconder as peças que faltam e me levam a você. Mas, ei!? Volte aqui! Não terminei de cantar, melhor dizer, contar… Esquece! Pensei tão alto e fui junto. Peguei carona. E cheguei um pouco depois. Difícil de acompanhar! É muito corre corre. A lebre e a tartaruga sentaram juntas pra conversar e somaram suas velocidades. Eu sem entender nada, assim como você está com essa comparação sem pé e cabeça, fiquei parada observando, esperando a ficha cair. Caiu chuva. Um frio tão forte que só faltou cair neve! Mais quem caiu foi eu de amores. Pelos ritmos que conduzem minha inspiração. Respira. Suspira. Já foi. Tá tudo bem! Vem aqui! Te dou colo, cafuné e um café quentinho! A gente assiste um filme legal e depois arriscamos algo na cozinha! Coloco uma música e tiro os fones se prometer cantar comigo! Conte também! Pro que der e vier. Já foi! Logo passa! Todos nossos planos e a falta deles, o impulso e o improviso em segundos estão acontecendo. Toda a ansiedade que vira adrenalina, pernas bambas, boca seca, mãos transpirando… Presta atenção! Vai, agora! Já! Foi… Não dá pra rebobinar. Já se foi essa época também. Mas a gente pode contar, ai vai ser questão de acreditar. Aconteceu, juro! Eu estava lá! E já já a gente conta sobre quando te contei… Já foi! Corta! Próxima cena! Espera! São muitos tempos, não consigo coordenar! Tem que ter jogo de cintura pra segurar e se manter de pé nessa dança em que são dois pra cá e três pra lá. Os fones, tu viu? Já foram também e nem vi! A banda passou e a chuva também! Tá na minha hora de ir! Sem cortar impulsos nem as cenas, mas sentindo e pulsando cada uma delas! O agora, minha casa! Porta tá aberta! 

Por Amanda badrie

Profissional de marketing e comunicação, movida por transformar ideias em movimento e conexões reais. Criadora do C+, Na Dosagem Mais Coragem, para ser um espaço para quem acredita que viver é um ato de coragem.

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